Local shop for local people #1: Casa do Vinho, Lisboa

Há já algum tempo que queríamos escrever sobre a nossa garrafeira de bairro: a Casa do Vinho, na Rua Augusto Machado, no Bairro dos Actores em Lisboa. Aproveitámos o facto de termos conseguido (finalmente) tirar umas fotografias durante o dia para avançarmos não só com esta entrada, mas também com uma nova categoria chamada Local shop for local people, através da qual vamos celebrar algumas das nossas lojas preferidas.

Casa do Vinho

Casa do Vinho

A Casa do Vinho, onde sempre fomos muito bem recebidos e aconselhados pelo casal Isabel e Rui Caldeira, abriu as portas em 2009. Têm a particularidade louvável de trabalharem apenas com vinhos nacionais, com especial atenção dada aos pequenos produtores, e de se tratar da única loja em Lisboa cuja montra é ocupada pelo (Sir) Cliff Richard que, para além de ser um génio, produz vinho na região do Algarve.

Ex-Shadow na montra.

Ex-Shadow na montra.

 Não é demais sublinhar o nível cuidado que os proprietários têm no atendimento ao cliente, sempre personalizado, atento e acolhedor. Têm uma memória de elefante e lembram-se sempre dos vinhos que comprámos noutras ocasiões e, com base nas nossas preferências, aconselham-nos vinhos de qualidade excelente, provenientes de regiões diferentes das habituais e sempre dentro da gama de preços que indicamos. Apesar da nossa quase-total inexperiência no universo dos bons vinhos (para não dizer aversão à ideia de nos transformarmos nuns eno-chatos), aprendemos sempre coisas novas quando vamos à Casa do Vinho; e os nossos jantares ficaram muito mais bem regados desde que descobrimos este estabelecimento.

Recheio da casa.

Recheio da casa.

Um dos vinhos que nos foi aconselhado pela Isabel e que passámos a consumir com muita regularidade é o Branco Síria da Quinta dos Currais, produzido na região da Cova da Beira entre as Serras da Gardunha e da Estrela. Para além de ter um aroma e sabor muito fora do vulgar (que no camp Miudezas é descrito como “champagne sem gás”), tem um rótulo maravilhoso e tem convertido todas as pessoas a quem o demos a provar. Para além dos vinhos, a loja oferece também uma variedade de produtos tradicionais portugueses (pastas de Azeitona com diversos sabores, azeitona preta, orégãos e mel, cogumelos, especiarias, temperos, biscoitos). Na altura do Natal, vendem cabazes muitos apetecíveis com combinações cuidadas e apetitosas de vinhos e outros produtos. Ao longo do ano, são feitas várias promoções (vinhos seleccionados com descontos entre os 10 e os 20%) e é dado destaque a uma região diferente a cada mês.  

Sírias da Serra.

Sírias da Serra.

A localização não podia ser mais central (a menos de 1 minuto a pé da estação da Alameda, saída Almirante Reis/Rua Augusto Machado), e o horário de funcionamento é conveniente: dias de semana das 11h00 às 19h45 e Sábados das 10h00 às 19h00. Para o Miudezas, não existe comparação possível entre a experiência de adquirir – e aprender mais acerca de – vinhos num estabelecimento local e familiar como a Casa do Vinho, e frequentar garrafeiras integradas em grandes superfícies, onde a aposta parece sempre recair mais sobre a quantidade/variedade do que na qualidade (dos vinhos e do grau de atendimento prestado ao cliente). Esperamos que os leitores concordem e façam uma visita à Casa do Vinho muito em breve.

Opções para regar.

Opções para regar.

[Disclaimer extraordinário: está tudo explicado na secção “Sobre”, mas nunca é demais reiterar que o Miudezas é e pretende continuar a ser um blog anónimo, imparcial, sem agenda e sem disponibilidade para escrever sobre sítios / experiências / iniciativas por encomenda. Só escrevemos sobre aquilo que nos apetece partilhar. Obrigado!]

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Miudezas bite-sized #1: buta kakuni no Bonsai, Lisboa

Damos hoje início a uma nova série de entradas bite-sized no Miudezas.

Serão posts mais resumidos, dedicados exclusivamente a pratos que consideramos extraordinários, fora de série, que atinge níveis de perfeição up to eleven – pratos que justificam pegar no telefone e efectuar uma reserva (para hoje) no restaurante que o serve.

E, assim, estreamo-nos em modo bite-sized com um dos pratos que mais nos faz revirar os olhos a cada trinca: o buta kakuni servido no Restaurante Bonsai em Lisboa.

(A cozer) devagar se vai longe.

(A cozer) devagar se vai longe.

O buta kakuni não é mais do que barriga de porco cozida muito lentamente num caldo delicioso, à base de gengibre, alho, um bocadinho de açúcar, molho de soja, um bocadinho de sake e ingredientes secretos que não nos compete desvendar (peixe seco?). No Bonsai, os pedaços de barriga de porco (que se derretem na boca) são servidos numa tigela com o caldo, cobertos por cebolinho acabado de cortar, e acompanhados por pequenas folhas de espinafre, suficientemente cozidas no molho. A rematar, uma colher de mostarda karashi desperta as narinas e eleva todos estes sabores até à perfeição.

Quando há, este monumento ao umami é anunciado no quadro de cortiça com os pratos especiais do dia.

 

Morada: Rua da Rosa, 248, 1200-391 Lisboa

Telefone: +351 213 462 515

Fecha Sábado ao almoço e Domingo.

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Quand la Chine s’éveillera, as nossas barrigas vão agradecer: Tian Yi Jiao, Lisboa

Quando há uns meses escrevemos sobre a falta de restaurantes chineses legítimos e legais (por legais entenda-se sem serem clandestinos), estávamos longe de imaginar que já existia na capital um estabelecimento que viria a responder a todas as nossas preces. Aberto há 7 meses e especializado em pratos da província de Zhejiang (foi o que percebemos), conforme esclarecido pela simpática empregada que nos serviu, o Tian Yi Jiao é seguramente o melhor e mais genuíno restaurante chinês na capital.

Welcome to Tian Yi Jiao

Welcome to Tian Yi Jiao

Descobrimos este shangri-la totalmente por acaso, durante uma caminhada pela zona de Arroios num dia particularmente ventoso, em que as ruas por trás da Almirante Reis pareciam um bocadinho mais abrigadas do que a avenida. Se a ementa colocada na janela auspiciava um óptimo jantar, a visão de abundância com que nos deparámos quando entrámos no restaurante foi ainda mais esclarecedora: três mesas redondas com capacidade para 10 pessoas cada, totalmente repletas de iguarias que iam desde as ostras até pratinhos de edamame. 10 minutos depois de entrarmos, chegaram os sortudos destinatários deste banquete: um grupo de cidadãos chineses, distribuídos pelas três mesas em grupos de homens, mulheres e crianças. Só não ficámos a suspirar pelas iguarias de entrada e pela sopa de noodles e ovos estrelados (estrelados, não escalfados) servida pelas três mesas, porque o nosso próprio jantar foi, sem sombra de dúvida, dos mais deliciosos e memoráveis que alguma vez tivemos em Lisboa.

Good things come to those who wait.

Good things come to those who wait.

Começámos por pedir sopa de bola de peixe, salada de tofu e ovo preto e uma entrada de algas marinhas em molho Sichuan; a simpática empregada que nos serviu indicou de imediato que não havia algas naquele dia. Aproveitámos a disponibilidade da senhora (muito prestável, a contrastar positivamente com o serviço acelerado do vizinho Hong Kong Grande Palácio) para pedir que nos sugerisse uma alternativa, e não hesitámos em encomendar as duas recomendações: crepes de peixe Wenzhou e massa de arroz “rodela salteada” (sic). Em termos do tamanho das porções, a quantidade de comida pedida teria sido suficiente para alimentar três pessoas com espaço na barriga. A qualidade dos quatro pratos era impressionante, e será difícil não entrar num registo food-porn / nostálgico-suspirante ao recordar a experiência:

Massa de arroz rodela salteada – a Primavera chinesa num prato, em que a textura fresca e trincável dos vegetais (ong choy / morning glory, cogumelos shitake, cenouras, alho francês e cebolinho) contrasta com suaves rodelas de massa de arroz, pontuados por ovo mexido e um delicioso molho à base de carne de porco. Este é um dos pratos vegetarianos “em princípio”, que ilustra bem o cuidado que os clientes vegetarianos deverão ter antes de encomendar seja o que for num restaurante chinês.

Massa redonda

Massa redonda debaixo de lovely greens.

Salada de tofu e ovo preto – o momento alto (e frio) da refeição, onde cubos de tofu de excelente qualidade se encontram com pedaços de ovo preto (century egg), regados por um molho riquíssimo e salgado à base de soja e óleo de sésamo.  O pormenor genial surge na utilização de açúcar granulado (!) sobre o tofu para atingir o contraste perfeito entre salgado/doce e suavidade do tofu /areia crunchy do açúcar. Uma iguaria comovente para o Miudezas, embora alertemos para o facto de o sabor forte e a textura gelatinosa do ovo preto poder não ser fácil para alguns paladares.  

Very delicious.

Very delicious.

Sopa de bola de peixe (dose “pequena”) – servida num pyrex rectangular, com pedaços de peixe e choco (ainda com um bite agradável) a flutuar num caldo avinagrado e picante, pontuado por pimenta preta, cebolinho e alho francês. Uma versão semelhante à disponível no nº 43 da Rua do Benformoso, de confecção from scratch e utilizando produtos totalmente caseiros; embora confessemos preferir a versão mais industrial / guilty pleasure do Fu Jian em Carnaxide, em que os pedaços de choco e peixe são substituídos por “bolas” de peixe feitas com pão chinês recheado por uma salgadíssima e pouco saudável pasta de carne e peixe.

Sopa para um, para três.

Sopa para um, para três.

Crepes de peixe Wenzhou – pequenos e deliciosos crepes de peixe branco desfeito e refeito em pequenas rodelas fatiadas, temperado com gengibre, cebolinho e alho francês, para mergulhar num molho à base de vinagre chinês e soja. Leves e extremamente saborosos.

O encanto do peixe prensado.

O encanto do peixe prensado.

A lotação do restaurante é reduzida (cerca de 40 pessoas), não aceitam pagamento por cartão, e constatámos que também existem pratos mais “inofensivos” disponíveis na ementa: depois do grupo de cidadãos chineses, chegaram ainda quatro jovens que encomendaram noodles tipo chow mein e qualquer coisa na chapa – duas oportunidades desperdiçadas, na nossa opinião, perante a variedade de novos e deliciosos pratos por desbravar na ementa do Tian Yi Jiao.

Face ao impacto desta experiência, temos a certeza de que o Tian Yi Jiao será um dos sítios sobre os quais vamos escrever muitas vezes. O panorama da comida asiática em Lisboa acabou de tornar-se muito mais interessante.

Bucket list para jantares do futuro.

Bucket list para jantares do futuro.

Tian Yi Jiao – Rua António Pedro, 95, Lisboa (nas traseiras do Centro Comercial Portugália – R.I.P.).

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Voltamos já.

jantar

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12 de Maio de 2013 · 14:51

Miudezas na estrada I: Sara Barracoa, Famalicão

Na nossa memória desde uma refeição inesquecível em 2006, o restaurante Sara (mais conhecido como Sara Barracoa), levou-nos a Famalicão depois de um fim de semana de inverno passado em Guimarães, onde descobrimos a Adega dos Caquinhos e matámos saudades dos croissants mistos prensados com manteiga, entre outras maravilhas da pastelaria que só existem do Douro para cima.

sara_balcão

Como tínhamos tempo e nos apetecia passear, decidimos fazer os 33 kms que separam Guimarães de Famalicão não por uma SCUT, mas pela estrada nacional. E assim ficámos a saber da existência de localidades como Ronfe, Mugege, Joane, Vermoim e Brufe, onde em tempos terá havido uma indústria têxtil significativa e hoje em dia existem apenas detritos dessa era, que contribuem para uma paisagem algo fantasmagórica: demasiadas bombas de gasolina para a pouca afluência de carros, algumas fábricas desactivadas e outras em ruínas, restaurantes e demais estabelecimentos comerciais que fecharam portas para não mais reabrir.

sara_sala jantar 3

Entrámos no caos urbanístico que caracteriza Famalicão e de imediato rumámos ao centro, na esperança de mais um almoço memorável no Sara Barracoa. Abrimos as portas de madeira da casa de granito onde se situa o restaurante e, imediatamente, confirmámos que tudo se mantém igual desde a nossa última visita. Existe, aliás, uma aura de história e familiaridade que nos dá a ideia que houve coisas que nunca mudaram nesta casa, que abriu há mais de 170 anos, e foi frequentada em tempos por Camilo Castelo Branco. A Sara Barracoa esteve sempre nas mãos da mesma família e neste vídeo, o actual proprietário David Ferreira Dias (bisneto do fundador) explica a origem do nome do estabelecimento enquanto casa de ferrador, onde viajantes vinham mudar as ferraduras dos cavalos, e a transição gradual para casa de pasto. Como seria de esperar, os pratos servidos na Sara Barracoa respeitam a tradição local, bem como o livro de receitas da família.

sara_balcão1

Às 14h00, o restaurante já só tinha poucas mesas vagas na primeira das duas salas, sendo que a que fica na parte de trás do restaurante (afastada da entrada, mais acolhedora e com bastante mais luz natural) estava completamente cheia. Sentámo-nos e, depois de uma recepção afável por parte da mulher do Sr. David, o dilema com que nos deparámos consistia em optar por revisitar as especialidades que já tínhamos provado (vitela e rojões), ou experimentar pratos novos. Olhámos em redor para ver o que se comia e optámos pelo cabrito e pelos filetes de pescada. Por muito que estivéssemos ansiosos por voltar a provar a comida deste sítio, havia pormenores demasiado importantes para serem ignorados e que exigiam a nossa atenção: a perspectiva completamente errada de uma ombreira de porta (inspiração directa para o set design do filme Beetlejuice?), os quadros desalinhados ou as pipas de vinho tinto e branco atrás do balcão.

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Os filetes vieram numa travessa, ladeados por dois pastéis (lá em cima chamam-se bolos) de bacalhau. Em comparação com os restantes acompanhamentos – uma salada russa com maionese caseira  – os bolinhos de bacalhau acabaram por parecer uma escolha pouco habitual e quase questionável (o bacalhau é amigo da pescada?), especialmente porque estavam frios, contrastando com a temperatura dos filetes. Já os protagonistas deste prato estavam acabados de fritar, estaladiços e com um travo a sumo de limão, capazes de fazer frente aos melhores filetes que provámos tais como os do ARVC em Lisboa, d’A Cabana na Zambujeira, e do Maria Moita em Leixões.

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De seguida veio o cabrito, uma dose avantajada que acabámos com algum esforço, muita gula e total satisfação. Apesar de estar muito bem assado, no tradicional forno a lenha da Sara Barracoa, o cabrito não impressionou tanto como os filetes nem como a vitela que lá tinhamos comido há uns anos (das carne mais tenras que alguma vez provámos). A acompanhar, batatas assadas e um arroz solto e altamente saboroso, juntamente com uma salada e uns deliciosos grelos salteados – na Sara Barracoa, não se poupa na quantidade nem na qualidade dos acompanhamentos.

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A acompanhar todas as refeições que fazemos nestas paragens está o vinho verde tinto, servido em malgas: de cor sanguínea e a remeter para cenários do Velho Testamento, a efervescência e a acidez deste vinho poderá causar alguma estranheza a princípio (e alguma azia aos estômagos mais sensíveis), mas sabemos que não existe outra bebida possível para acompanhar a comida minhota, seja vitela, rojões ou papas de sarrabulho.

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No fim, ainda houve espaço para um delicioso e inatacável pudim de ovos. Foi um verdadeiro banquete, que em nada beliscou as boas recordações que tínhamos da Sara Barracoa, e mal podemos esperar pela próxima ocasião para reavivarmos a memória de como se come (muito) bem nesta zona do país.

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À mesa debaixo da ponte: Retiro do Chefe Costa, Lisboa

Fomos descobrir o Retiro do Chefe Costa há alguns dias, motivados por uma óptima crítica do José Quitério no jornal Expresso e pela vontade de desbravar um recanto de Lisboa isolado, qual oásis perdido entre a Av. de Ceuta e o acesso à Ponte sobre o Tejo. Separada do acesso à ponte por um pequeno muro, à nossa direita encontramos a Estrada do Alvito e o Retiro do Chefe Costa.

O sentimento imediato assim que vimos a lista dos pratos do dia foi de arrependimento – por não termos sido sociáveis e desafiado pelo menos mais dois amigos a jantarem connosco para, dessa forma, podermos provar mais iguarias. Sabíamos que as doses eram grandes e mais que suficientes para partilhar por duas pessoas com fome e, em tempos de contenção, não pudemos largar mais uma nota e dar azo ao apetite e à curiosidade, pelo que tivemos de nos cingir a um só prato. O senhor que nos atendeu recomendou de imediato o signature dish do Chefe Costa, o esparguete com marisco, bem como o vinho branco da casa. Mas enquanto esperávamos, suspirámos pelo cabrito, pelo arroz de tamboril e por outros jantares promissores.

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Esparguete com marisco.

Contrariando a crença de que as massas mais finas (linguine, spaghetti) não devem ser utilizadas em ensopados e caldeiradas, por correrem o risco de overcooking e de ficarem gradualmente com uma textura mole e empapada, este esparguete escrito e cozinhado à portuguesa foi a escolha mais acertada. O esparguete é servido numa tigela de barro e cozinhado num caldo rico e saboroso, à base de generosos pedaços de marisco (camarões, sapateira e amêijoas), pontuados com salsa e coentros q.b. e coberto por duas fatias de broa, ou não vá o cliente precisar de uma dose acrescida de hidratos de carbono para aconchegar o marisco. É um prato simples, eficaz e que nos deixou muito mais satisfeitos do que 95% dos arrozes de marisco que temos provado. A única nota negativa vai para a escolha das amêijoas, de casca preta (no Atlântico não há disso) e com certeza congeladas. O vinho branco, da região do Vale do Tejo, foi outra agradável surpresa: seco, leve e fresquíssimo, regou bem o nosso jantar. A rematar, um leite creme caseiro nota 10.

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Massa-pão.

O espaço tem uma dimensão razoável e pormenores deliciosos, como o inexplicável altar no corredor que conduz às casas de banho (gostámos especialmente do detalhe simétrico das duas garrafas de água vazias); o serviço é afável e despachado. Apesar de ser amplamente descrito como uma marisqueira e restaurante para grupos, o Retiro do Chefe Costa é um bom restaurante de boa comida portuguesa, com óptimos preços: pela refeição acima descrita, que incluiu um couvert à base de pão, boas azeitonas e umas deliciosas ovas em escabeche, mais cafés, pagámos menos de 14 euros por cabeça. Encerra à Segunda-feira.

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Altar mistério.

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A Serra na Cidade: Restaurante O Serrano, Ajuda

O Miudezas anda numa fase particularmente carnívora, pelo que pareceu-nos óbvia a escolha do restaurante O Serrano quando, há uns dias, tivemos de rumar a oeste, mais especificamente até à zona da Ajuda. Mais conhecido por ser o local onde alguns familiares se juntam para um almoço mensal (no dia do cozido, à quarta-feira), O Serrano serve, entre outros pratos, especialidades da Beira Baixa, mais especificamente da junta de freguesia de Orjais, concelho da Covilhã, há mais de 30 anos.

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Aproveitamos o facto de O Serrano ter um site acessível, honesto e informativo para marcar a estreia dos posts mais resumidos no Miudezas. Não há nada a acrescentar e tudo a confirmar: aqui come-se realmente muito bem, em doses muito generosas e a preços muito convidativos. Os produtos são frescos e regionais, e o serviço é sem pressas, familiar e muito simpático. A decoração não sofreu grandes alterações desde a abertura – gostamos particularmente da sinalética usada nas casas de banhos.

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Optámos por um prato do dia e por uma das especialidades da casa: ervilhas com dois ovos bem escalfados (leia-se mal passados, com a gema bem runny como convém), e o clássico tacho de arroz de carqueja para partilhar. As ervilhas estavam apuradíssimas, com um molho rico e adocicado q.b., sendo acompanhadas por tiras finas de presunto de excelente qualidade, em vez dos habituais cubos de toucinho pouco apreciados pelas nossas artérias.

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O arroz de carqueja é um prato típico da Beira Baixa, reconfortante e com um aroma muito característico – uma espécie de arroz guisado leve e anisado, com entrecosto e morcela; estes sabores são elevados ao supra sumo da experiência serrana através da fragrância doce da carqueja, que é utilizada não só para temperar a carne como também na água onde o arroz é cozinhado. Não conhecemos outro sítio em Lisboa (nem a menos de 1500 metros de altitude) que sirva este prato, mas aceitamos sugestões.

O restaurante encerra ao Domingo e à Segunda-feira, e está temporariamente sem poder aceitar pagamento por cartão (queremos acreditar que é temporário, a gerência fez questão de espalhar vários avisos pelas paredes); mas há uma caixa MB a poucos metros de distância, descendo a Calçada do lado direito. Já referimos a dimensão das doses mas, a título ilustrativo, podemos confirmar que uma dose de arroz de carqueja e meia dose de ervilhas dão para alimentar 4 pessoas que gostam de repetir, pela módica quantia de 19,50. Com vinho da casa, água, sobremesas e café, é pouco provável que o preço de uma refeição n’O Serrano exceda os 10 euros por cabeça. Restam dúvidas sobre onde almoçar esta semana?

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