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À mesa debaixo da ponte: Retiro do Chefe Costa, Lisboa

Fomos descobrir o Retiro do Chefe Costa há alguns dias, motivados por uma óptima crítica do José Quitério no jornal Expresso e pela vontade de desbravar um recanto de Lisboa isolado, qual oásis perdido entre a Av. de Ceuta e o acesso à Ponte sobre o Tejo. Separada do acesso à ponte por um pequeno muro, à nossa direita encontramos a Estrada do Alvito e o Retiro do Chefe Costa.

O sentimento imediato assim que vimos a lista dos pratos do dia foi de arrependimento – por não termos sido sociáveis e desafiado pelo menos mais dois amigos a jantarem connosco para, dessa forma, podermos provar mais iguarias. Sabíamos que as doses eram grandes e mais que suficientes para partilhar por duas pessoas com fome e, em tempos de contenção, não pudemos largar mais uma nota e dar azo ao apetite e à curiosidade, pelo que tivemos de nos cingir a um só prato. O senhor que nos atendeu recomendou de imediato o signature dish do Chefe Costa, o esparguete com marisco, bem como o vinho branco da casa. Mas enquanto esperávamos, suspirámos pelo cabrito, pelo arroz de tamboril e por outros jantares promissores.

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Esparguete com marisco.

Contrariando a crença de que as massas mais finas (linguine, spaghetti) não devem ser utilizadas em ensopados e caldeiradas, por correrem o risco de overcooking e de ficarem gradualmente com uma textura mole e empapada, este esparguete escrito e cozinhado à portuguesa foi a escolha mais acertada. O esparguete é servido numa tigela de barro e cozinhado num caldo rico e saboroso, à base de generosos pedaços de marisco (camarões, sapateira e amêijoas), pontuados com salsa e coentros q.b. e coberto por duas fatias de broa, ou não vá o cliente precisar de uma dose acrescida de hidratos de carbono para aconchegar o marisco. É um prato simples, eficaz e que nos deixou muito mais satisfeitos do que 95% dos arrozes de marisco que temos provado. A única nota negativa vai para a escolha das amêijoas, de casca preta (no Atlântico não há disso) e com certeza congeladas. O vinho branco, da região do Vale do Tejo, foi outra agradável surpresa: seco, leve e fresquíssimo, regou bem o nosso jantar. A rematar, um leite creme caseiro nota 10.

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Massa-pão.

O espaço tem uma dimensão razoável e pormenores deliciosos, como o inexplicável altar no corredor que conduz às casas de banho (gostámos especialmente do detalhe simétrico das duas garrafas de água vazias); o serviço é afável e despachado. Apesar de ser amplamente descrito como uma marisqueira e restaurante para grupos, o Retiro do Chefe Costa é um bom restaurante de boa comida portuguesa, com óptimos preços: pela refeição acima descrita, que incluiu um couvert à base de pão, boas azeitonas e umas deliciosas ovas em escabeche, mais cafés, pagámos menos de 14 euros por cabeça. Encerra à Segunda-feira.

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Altar mistério.

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